Ter medo é diferente de ser o medo. Muitas vezes ouvimos os pais dizerem às crianças: “Tens medo de quê? Não há nada que ter medo!” Esta é uma mentira muito perigosa. Acreditar que ter medo é ridículo faz-nos querer esconder esse sentimento. Habituados a isso, muitos pensam que a melhor forma de esconder o medo é ter medo de ter medo. Este estado a que chamo “ilusão sem medo” pode perdurar tanto tempo que o medo passa a ser a cor que veste a nossa alma. O ruído que distorce a voz do coração. O silencio da nossa vontade.
É nesse momento que nos ligamos ao mundo apenas pelo medo de ir, fazer, conseguir, amar, desejar, sentir. Precisamos do medo para estarmos vivos. Acaba-se por viver a vida do medo e não aquela que verdadeiramente queremos experimentar. Se ouvirmos o medo e não nos tornarmos nele somos mais fortes. Voltamos a ser crianças de novo. A alma respira e inunda cada uma nas nossas células com a confiança de quem sabe que o Universo inteiro sorri cada vez que avançamos com fé em nós próprios.

Sei disso porque tive medo de escrever estas palavras.