Sabemos que as crianças precisam de brincar. Às vezes parece que se alimentam de brincadeira. Brincam sozinhas. Com outras crianças, adultos Com ou sem brinquedos. Brincam com a imaginação. Com o vento. Com as nuvens. Com o sol e com a sombra. Brincam por tudo e por nada.
O ato de brincar fortalece o vinculo que a criança estabelece com a realidade por ela percebida. Através da brincadeira a criança torna-se maior do que é na realidade. Pode ter poderes que não tem. Pode sentir emoções diferentes e tomar consciência de si mesma através disso. Nós adultos, podemos conhecer quase tudo o que a criança experimenta através de uma brincadeira. Brincar às escolas é meio caminho andado para saber o que passou durante o dia na escola.
Brincar para as crianças não é nenhuma brincadeira. É coisa séria. É o trabalho delas. Elas fazem o que é suposto ser feito. E por isso as horas extra são remuneradas com mais brincadeira e felicidade. E por ser a sua especialidade não precisam de ser ensinadas. Basta acompanhá-las.
Imagino o que seria o mundo se os adultos de hoje tivessem brincado mais em crianças. Por certo diferente. Às vezes oiço os pais dizerem que não sabem brincar. Impossível parece-me. Esqueceram-se isso sim. O cinzento da vida borrou o arco-íris da imaginação.
Se quisermos ou formos convidados para a brincadeira é preciso respeitar algumas regras.
MANTERMOS A NOSSA CONDIÇÃO DE ADULTO É FUNDAMENTAL.
Fingirmos que somos das idades deles fica estranho, no mínimo. O resultado final visual é como um PDF convertido para Word. Faltam sempre caracteres e a semântica não se entende.
FALAR “À BEBÉ” É UM INGREDIENTE DE AZEDA FACILMENTE
Qualquer tentativa que se assemelhe a isso devia levar a um bloqueio das quatro rodas. E nem a Emel da fonética pode resolver isso. Quando um bebé se ri dessa forma de falar na verdade acho que goza connosco. Para além de não facilitar à criança a aprendizagem de novas palavras parece que entrámos no “Lost” da dignidade.
A IMAGINAÇÃO É A GRATIN DAUPHINOIS DA BRINCADEIRA
Se não sabe o que é invente. Imagine que sabe. Faça a convocatória da sua criatividade para brincar. Ganhe o passaporte para o coração da criança através da sua imaginação. Tudo é possível. Pode ser quem quiser. Com o poder que quiser. Viver o que quiser. Como quiser. Isso é fabuloso. Imagine que é o “super-abraços” e abrace essa ideia. Surpreenda a criança. Apresente-lhe a sua criança interior.
A última dica é esquecer tudo isto e viver a brincadeira como uma viagem sem destino mas com um propósito. Conhecer a criança que está acrescer no reino da sua confiança.
Boas viagens.
